Friday, 10 July 2009

Artigo sobre Cemitério dos Ingleses no portal da Revista de História

Novos baianos
Historiadora se empenha para restaurar o Cemitério dos Ingleses da Bahia e, pelos túmulos, resgata a história dos britânicos que fizeram do Brasil sua nova casa.
Bernardo Camara

À bordo da nau que margeava o litoral brasileiro, o comerciante Edward Pellew Wilson deslumbrou-se com o que viu. Não pensou duas vezes: decidiu tentar a vida aqui, onde fundou a empresa de navegação Wilson Sons. Médico, John Ligertwood Paterson também se deixou levar pelos ventos tropicais. Inaugurou uma clínica em solo tupiniquim e, entre um paciente e outro da elite, abria as portas para o povo. Carregando no bolso teorias modernas contra epidemias como a febre amarela e a cólera, foi um dos fundadores da Escola Baiana Tropical de Medicina.

Ambos eram ingleses. Aportaram na Bahia ao longo do século XIX. E seus passados se cruzam até hoje... num cemitério. Há quatro anos fuçando lápides e túmulos no Cemitério dos Ingleses da Bahia, a historiadora – inglesa – Sabrina Gledhill se deparou com estas e outras histórias. Casos de conterrâneos que chegaram de mala e cuia a partir da abertura dos portos, em 1808.

A época era propícia. Com poucas chances de ascensão social em território britânico, comerciantes, empresários e toda sorte de viajantes passaram a cogitar viver do lado de cá do Atlântico. A leva de migrantes incluía de caixeiros a engenheiros, todos atrás de novas oportunidades. Mas se a antiga capital brasileira tinha muito a oferecer a esses estrangeiros em vida, na hora da morte eles passavam aperto.

“Na época, não havia cemitérios a céu aberto por aqui, pois os enterros ocorriam dentro das igrejas”, conta Sabrina. “E como o preconceito era mútuo, os católicos não deixariam os protestantes serem enterrados nessas igrejas, nem eles próprios iriam querer isso. Onde, então, eles seriam sepultados?”. A resposta veio em 1811, quando o tal cemitério foi erguido cara a cara com a Baía de Todos os Santos.

O primeiro a descansar em paz chegou dois anos depois. Nascido em Liverpool, aproveitou a onda migratória e pegou o navio para essas bandas, onde viveu às custas do tráfico de escravos. Mas não demorou para que ele dividisse o espaço com naturalistas, diplomáticos e até mulheres e crianças, nem sempre britânicos.

“Era comum os ingleses chegarem ao Brasil trazendo a família. Como também era normal formarem famílias aqui. A lista de sepultamentos inclui cônjuges e filhos brasileiros de ingleses, judeus de várias nacionalidades, norte americanos e outros estrangeiros”, enumera a historiadora. “Era uma questão mais religiosa que nacional”.

O resgate desse contexto começou por acaso. Há mais de 20 anos morando em Salvador, Sabrina começou a se incomodar com o abandono e degradação do cemitério. Iniciou uma campanha por sua restauração física e acabou vertendo para o lado histórico daqueles sepulcros. “Comecei a me fascinar pela história das pessoas enterradas ali”.

Enquanto o local era reparado, com o patrocínio da fundação baiana Clemente Mariani, a inglesa catou bibliografias sobre o assunto e correu atrás de cópias de testamentos. Encontrou bastante coisa, mas sabe que ainda tem muita história debaixo da terra.

“Tem uma área onde houve um sepultamento em massa de marinheiros, mas ainda não a descobrimos. Muita coisa sumiu”, diz ela. Por isso, a segunda etapa do projeto será mais voltada para os túmulos. “Eu e um arqueólogo vamos fazer um levantamento mais completo, incluindo restauro, arqueologia e mapeamento histórico”.

Tudo depois vai parar num livro. Sabrina está animada e não se importa um pingo com fato de sua pesquisa se passar num local que para muitos é inusitado. Se ela prefere se enfurnar numa biblioteca? “Nós, ingleses, não vemos os cemitérios como um lugar macabro, mas de paz e memória. Fazemos até piquenique”.


http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=2469

Imigração britânica na Revista de História

A edição de junho de 2009 da Revista de História da Biblioteca Nacional traz um artigo na página 60 titulado "Vou-me embora da ilha", da autoria de Sabrina Gledhill, sobre os imigrantes britânicos que vieram tentar a sorte no Brasil. No mesmo mês, o website da revista - www.revistadehistoria.com.br - publicará uma matéria sobre o Cemitério dos Ingleses.

Revista Muito destaca Cemitério dos Ingleses

A revista Muito do jornal A Tarde publicada no dia 05 de julho de 2009 inclui uma matéria sobre o Cemitério dos Ingleses, que pode ser aproveitado por baianos e visitantes como um "museu a céu aberto".

Clique aqui para fazer o download do artigo em PDF.

Tuesday, 23 December 2008

Distribuição de certificados

Os certificados para o Simpósio e os Mini-Cursos já estão disponíveis. Verifique se seu nome consta nas listas neste link (arquivo em Excel). Os certificados serão distribuídos no Centro de Memória da Bahia, no terceiro andar da Biblioteca Pública dos Barris.

Friday, 14 November 2008

Fotos do "Cemetery tour" e das palestras na Capela


Relembrando a vida e obra de Dr. J.L.Paterson


Profa. Sabrina Gledhill,
fazendo as vezes de moderadora


Prof. Marc Herold discursando sobre a
contribuição econômica da Grã Bretanha na Bahia


O engenheiro John Vignoles,
falando sobre seus ancestrais

Fotos: Marc Herold e Sabrina Gledhill

Wednesday, 12 November 2008

Tem fotos?

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Se tiver fotos do simpósio, por favor mande para o blog: britanicosnabahia (arroba) gmail (ponto) com

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Mad Dogs and Englishmen - de Noël Coward


Visita ao Cemitério dos Ingleses, sábado 8 de nov

Clique na imagem para ver o slideshow
Visita ao Cemitério dos Ingleses

Cenas do simpósio

Clique nas imagens para ver os slideshows/Click on photos to see slideshows
Primeiro dia/Day one



Segundo dia/Day two


Terceiro dia/Day three


Quarto dia/Day four



Quinto Dia/Day 5 Foto: Walter J. O. da Silva
Da esquerda à direita: Dra. Maria Clara Mariani,
Dr. Ricardo Chequer Chemas, Profa. Sabrina
Gledhill (moderadora), Prof. Luiz Alberto
Ribeiro Freire

Tuesday, 11 November 2008

Conferência de abertura


Kenneth Light discursando sobre
A Transferência da Capital e Corte para o Brasil, 1807-1808
no dia 3 de novembro

Da esquerda à direita: Profa. Consuelo Novais Sampaio, Diretora do Centro de Memória da Bahia, Fundação Pedro Calmon; Dr. Sylvio Marback, Vice-Presidente do IGHB; Profa. Sabrina Gledhill, Dr. Nigel Lee, MBE, Presidente da Sociedade de S. Jorge e ex-Cônsul Honorário da Grã-Bretanha na Bahia; João Sabido da Costa, Cônsul Geral de Portugal na Bahia e Prof. Kenneth Light

Friday, 7 November 2008

Visita ao Cemitério dos Ingleses ("tour" em português)

Foto: Tim Divine

Esperamos os participantes do Simpósio e membros da comunidade britânica no "Cemitério dos Ingleses" amanhã, sábado, dia 08 de novembro. O "tour" começa às 15h00.

Fica ao lado do Yacht Club, na Ladeira da Barra.

Friday, 31 October 2008

Inscrições encerradas

Devido à grande demanda e as vagas limitadas, as inscrições estão encerradas. Entretanto, estamos aceitando inscrições para a lista de espera. A inscrição definitiva será confirmada na hora do credenciamento, entre as 8h30 e 9h30 de segunda-feira, dia 3 de novembro, no Auditório da Biblioteca Central dos Barris.

A Coordenação

Programação do Simpósio (atualizada)


De 03 a 08 de novembro de 2008


Segunda-feira dia 03 de novembro de 2008
Local – Auditório da Biblioteca Central (Barris)
8h30 às 9h30
Credenciamento

9h30
Abertura: Nigel Lee, Presidente da Sociedade de S. Jorge; Lesley Hanson de Moura, Consul Honorária da Grã Bretanha; Profa. Dra. Consuelo Novais Sampaio, Diretora do Centro de Memória, Fundação Pedro Calmon; Profa. Consuelo Pondé, Presidente do IGHB; Dr. João Sabido Costa, Cônsul Geral de Portugal na Bahia; Kenneth Light, conferencista de abertura

10h30
Conferência de Abertura: A Transferência da Capital e Corte para o Brasil, 1807-1808 – Prof. Kenneth Light

Local – Auditório da Biblioteca Central (Barris)
14h00
Palestra: A diplomacia de Portugal na guerra napoleônica e o deslocamento da Corte em 1808 – Dr. João Sabido Costa

Palestra: Lord Cochrane e Maria Graham: um aspecto da História da Independência da Bahia – Prof. Ms. Sabrina Gledhill

Palestra: A contribuição britânica à Bahia – Prof. Dr. Marc Herold


Debate e encerramento


Terça-feira dia 04 de novembro de 2008
Local – Auditório da Biblioteca Central (Barris)
9h00
Palestra: A estrada de ferro da Bahia ao São Francisco - BSFR – Prof. Ms. Etelvina Rebouças

Palestra: Os operários da BSFR – Prof. Ms. Robério S. Souza

Palestra: Charles Blacker Vignoles e Hutton Vignoles: Os engenheiros britânicos que construíram a BSFR – John Vignoles

Debate e encerramento

Local – Auditório da Biblioteca Central (Barris)
14h00
Palestra: John Ligertwood Paterson – Prof. Dr. Rodolfo Teixeira

Palestra: A fotografia na Bahia do século XIX – Monique Sochaczewski

Palestra: Benjamin Mulock – John Vignoles


Debate e encerramento


Quarta-feira dia 05 de novembro de 2008
Local – Biblioteca Central (Barris)
14h00
Palestra: Os ingleses na construção de obras públicas urbanas em Salvador – Prof. Dra. Consuelo Novais Sampaio

Palestra: A arquitetura do bairro da Vitória – Profa. Maria do Carmo Baltar

Palestra: A comunidade de comerciantes britânicos presente na Bahia na primeira metade do séc. XIX – Profa Dra. Louise Guenther

Debate e encerramento

Quinta-feira dia 06 de novembro de 2008
Local – Auditório da Biblioteca Central (Barris)
14h00
Palestra: O papel dos ingleses na repressão do tráfico de escravos – Prof. Ubiratan Castro de Araújo

Palestra: Jonathas Abbott: Um Lugar Memória da Bahia no século XIX– Profa. Dra. Maria Helena F. das Neves

Palestra: Os Anglicanos na Bahia – Prof. Dra. Elizete da Silva

Sexta-feira dia 07 de novembro de 2008
Local – Auditório da Biblioteca Central (Barris)
14h00
Palestra: O papel de Jonathas Abbott no mundo artístico da Bahia – Prof. Dr. Luiz Alberto Freire

Palestra: Arte Cemiterial no Cemitério dos Ingleses da Bahia – Prof. Ricardo Chemas

Conferência de encerramento: A restauração do Cemitério dos Ingleses na Bahia – Maria Clara Mariani


Sábado dia 08 de novembro de 2008
Local – Capela do Cemitério dos Ingleses na Barra

16h00
Evento em inglês (as mesmas apresentações destes palestrantes, mas desta vez, sem tradução)
Palestrantes:
Marc Herold - The British Contribution to Bahia
Louise Guenther - The British Merchant Community in Bahia in the 19th century
John Vignoles - Charles Blacker Vignoles and Hutton Vignoles: The British engineers who built the Bahia and São Francisco Railway

Wednesday, 29 October 2008

Alteração na programação dos mini-cursos

Devido à demanda, alteramos a programação dos mini-cursos para que todos os participantes possam freqüentar mais de um, ou todos os três, se desejarem. O local será o auditório da Biblioteca Central dos Barris

Quarta-Feira, dia 5 de novembro, das 8h30 às 12h00
Mini-Curso II – Etelvina Rebouças - A construção da ferrovia BSFR - Bahia and São Francisco Railway

Quinta-Feira, dia 6 de novembro, das 8h30 às 12h00
Mini-Curso I – Maria do Carmo Baltar - A arquitetura do bairro da Vitória

Sexta-Feira, dia 7 de novembro, das 8h30 às 12h00
Mini-Curso III – Monique Sochaczewski - A iconografia do século XIX

As inscrições são separadas - terão preferência as pessoas já inscritas no simpósio

Para se inscrever, por favor enviar seu nome completo, endereço, email e números para contato para britanicosnabahia (arroba) gmail (ponto) com

Friday, 24 October 2008

Conferencista de Abertura: Kenneth Light


O Simpósio abre às 9h30 no dia 3 de novembro de 2008, no auditório da Biblioteca Central dos Barris. O conferencista de abertura é Kenneth Light, autor de A viagem marítima da família real: A transferência da corte portuguesa para o Brasil (Zahar, 2008)

SINOPSE

Como foi a travessia dos Bragança de Portugal para o Brasil? D.João e Carlota Joaquina vieram na mesma embarcação? No mês em que se comemora os 200 anos da chegada da família real, o pesquisador Kenneth Light revela neste livro, pela primeira vez, as aventuras da corte na viagem pelo Atlântico. O leitor vai se deparar com uma descrição minuciosa das naus, detalhes sobre as rotas, a tripulação e as condições climáticas e marítimas durante o percurso. Uma narrativa que nasceu do ponto de vista de quem estava dentro dos navios, baseada nos escritos dos diários de bordo das naus britânicas, que escoltaram as embarcações portuguesas.

A pesquisa em documentos raros traz revelações surpreendentes. O leitor vai descobrir, por exemplo, que D. João foi um grande estadista, transferindo a corte para o Brasil por uma questão estratégica e não por medo.

Para escrever este livro, Kenneth Light recolheu material por uma década e, depois de muito procurar, encontrou, no Arquivo Nacional da Inglaterra, os diários de bordo das naus britânicas. Encomendou ainda ao inglês Geoff Hunt, presidente do Royal Society of Marine Artists, um quadro com a imagem da chegada da esquadra ao Rio, feito especialmente para a publicação.

E mais:

. Obra há muito esperada pelos historiadores.

. Minibiografias dos principais personagens e um glossário de termos náuticos.

. Para ilustrar o seu livro, Kenneth Light encomendou um quadro que mostra o momento exato da chegada das naus ao Brasil. Veja a imagem clicando aqui.


“O que se comeu, como era o dia-a-dia, como se media o tempo, qual era o número de marinheiros empregados e o soldo correspondente, como se organizavam os navios... todos esses detalhes saborosos aparecem no livro e ajudam a compor um quadro mais vivo dessa longa viagem.” da apresentação de Lilia Schwarcz


Kenneth Light nasceu em 1938 no Rio de Janeiro e foi criado na Inglaterra. Depois de sua aposentadoria, em 1990, dedicou-se a estudar história, principalmente britânica, portuguesa e brasileira.

Saturday, 18 October 2008

International Symposium on Diplomacy, Economics, the Arts & Culture: The History of the British Presence in Bahia

This blog is devoted to the symposium that will be held between 3 and 8 November 2008 in Salvador, Bahia.

This cultural event is being promoted by the St. George’s Society and has the support and approval of the British Embassy, is in receipt of funding from FAPESB and is being hosted by the Centro de Memória da Bahia, Fundação Pedro Calmon from 3 to 7 November.

Participation is free of charge; however, places are limited. If you are interested in participating, please contact Sabrina Gledhill at britanicosnabahia@gmail.com to reserve your place.

From 3 to 7 Nov, the programme will be in Portuguese at the auditorium of the Central Library in Barris. On the 8th, a special event will be held at the British Cemetery Chapel, where the presentations that were translated during the main event will be given once again in English, without translation:

Marc Herold - The British Contribution to Bahia
Louise Guenther - The British Merchant Community in Bahia in the 19th century
John Vignoles - Charles Blacker Vignoles and Hutton Vignoles: The British engineers who built the Bahia and São Francisco Railway

Tuesday, 14 October 2008

Palestrantes confirmados (lista atualizada)

Kenneth Light
Conferencista de Abertura. Autor do livro A viagem marítima da família real - A transferência da corte portuguesa para o Brasil (Rio: Zahar, 2008). O pesquisador Kenneth Light analisa de maneira minuciosa os diários de bordo das embarcações que acompanharam a Família Real ao Brasil. Assim, provoca o naufrágio de mitos a respeito da precariedade da viagem e da idéia de que a Coroa portuguesa fugia de forma desesperada dos homens de Napoleão. Kenneth Light estuda há dez anos a intensa relação entre as histórias de Portugal, Brasil e Inglaterra no século XIX, seguindo passageiros, capitães e marinheiros embarcados na viagem de 1808. A riqueza de conceitos do trabalho de Kenneth Light é fruto de um cuidado historiográfico fortemente comprometido com a análise precisa das fontes, capaz de comungar saberes marítimos, tecnológicos e culturais a serviço de um texto histórico de qualidade. Explanará sobre o tema: A Transferência da Capital e Corte para o Brasil, 1807-1808

Consuelo Novais Sampaio
Historiadora. Doutorado pela The Johns Hopkins University, Estados Unidos (1979); Pós-Doutorado pela University of California Los Angeles, Estados Unidos (1986); Atuação em História da América, com ênfase em História Latino-Americana; Diretora do Centro de Memória da Bahia da Fundação Pedro Calmon, Brasil; em 2004 ganhou o Prêmio Clarival do Prado Valadares da Organização Odebrecht, que levou à publicação do livro 50 anos de urbanização – Salvador da Bahia no século XIX, de sua autoria. Explanará sobre o tema: Os ingleses na construção de obras públicas urbanas em Salvador

Ubiratan Castro de Araújo

Historiador. Possui graduação em História pela Universidade Católica do Salvador (1970) , graduação em Direito pela Universidade Federal da Bahia (1971) , mestrado em História pela Université de Paris X, Nanterre (1973) e doutorado em História pela Universite de Paris IV (Paris-Sorbonne) (1992) . Diretor Geral da Fundação Pedro Calmon. Explanará sobre o tema: Os ingleses e a repressão do tráfico de escravos para o Brasil

João Sabido Costa
Cônsul de Portugal na Bahia. Explanará sobre o tema: A diplomacia de Portugal na guerra napoleônica e o deslocamento da Corte em 1808

Luiz Alberto Ribeiro Freire
Nascido na cidade baiana de Juazeiro, em 1962, onde fez o curso primário e ginasial; Doutorou-se em História da Arte pela Universidade do Porto, Portugal (2001). Leciona na Escola de Belas Artes da UFBA as disciplinas de História da Arte ocidental e História da Arte Brasileira, lidera o grupo de pesquisa História das Artes Visuais Brasileiras. É membro do Comitê Brasileiro de História da Arte - CBHA e da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas - ANPAP. É vice-diretor da Escola de Belas Artes da UFBA. Em 2005 ganhou o Prêmio Clarival do Prado Valadares da Organização Odebrecht, o que facultou a ampliação da pesquisa da tese e a publicação em 2006 do livro A Talha Neoclássica na Bahia. Por essa publicação o autor recebeu o prêmio Sérgio Milliet da Associação Brasileira de Críticos de Arte - ABCA. Explanará sobre o tema: O papel de Jonathas Abbott no mundo artístico da Bahia.

Maria Helena Franca das Neves
Doutorado em Teorias e Críticas da Literatura e da Cultura pela Universidade Federal da Bahia, Brasil(2002). Analista Cultural da Fundação Cultural do Estado da Bahia, Brasil. Explanará sobre o tema: Jonathas Abbott: Um Lugar Memória da Bahia no século XIX

Louise H. Guenther
Autora do livro British Merchants in Nineteenth-Century Brazil: Business, Culture and Identity in Bahia, 1808-50 (Oxford: Center for Brazilian Studies, 2004). PhD da Universidade de Minnesota. Explanará sobre o tema: Os ingleses na Bahia oitocentista.

Marc W. Herold
Economista, Professor de Economia da Universidade de New Hampshire. Pesquisador da história econômica da Bahia. Há alguns anos, desenvolve estudos sobre o tema "Na sombra do açúcar: Poder e transformação na Bahia do século XX (dos senhores de engenho aos 'barões da petroquímica')", um trabalho inédito de 560 páginas. Explanará sobre o tema: A contribuição britânica à economia da Bahia (1820/1920).

Elizete da Silva
Possui graduação em História pela Universidade Federal da Bahia (1976), mestrado em História Social pela Universidade Federal da Bahia (1982) e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo (1998). Atualmente é professora titular e pleno da Universidade Estadual de Feira de Santana. Tem experiência na área de História, com ênfase em Historia das Religiões, atuando principalmente nos seguintes temas: ferroviários, Bahia, religião, resistência e protestantismo. Tese de doutorado sobre os anglicanos no Brasil.

Etelvina Rebouças Fernandes
Arquiteta. Possui graduação em Arquitetura pela Universidade Federal da Bahia (1970) e especialização em Política E Estratégia pela Universidade do Estado da Bahia (2000). Atualmente é Arquiteta do Instituto do Patrimônio Artístico E Cultural. Atuando principalmente nos seguintes temas: FERROVIA, SERTÃO, DESENVOLVIMENTO. Autora do livro: Do mar da Bahia ao Rio do Sertão: Bahia and San Francisco Railway (2006).

Robério S. Souza
Possui graduação em História pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2004), Mestrado em História Social do Trabalho pela UNICAMP (2007). Atualmente é Doutorando em História Social da Cultura também pela UNICAMP ( a partir de 2007). Atua principalmente nos seguintes temas: Estradas de ferro, trabalhadores das ferrovias, história social do trabalho no século XIX e no início do século XX, com enfoque nos temas relacionados à experiência da escravidão e da liberdade. Explanará sobre o tema: Trabalhadores das ferrovias na Bahia: o caso da Estrada de Ferro da Bahia ao São Francisco, século XIX


Maria do Carmo Baltar
Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Pernambuco (1988) , especialização em Especialização Em Conservação e Restauração de Mon pela Universidade Federal da Bahia (1990) , mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia (1997). Atualmente é Professora de 1º e 2º grau do Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia. Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo. Explanará sobre o tema: A arquitetura do bairro da Vitória


John Vignoles

Engenheiro e pesquisador. Pesquisa os engenheiros que construíram a Bahia and San Francisco Railway - BSFR. Bisneto e tataraneto de Hutton Vignoles e Charles Blacker Vignoles, respectivamente o engenheiro residente e engenheiro responsável pela construção da BSFR. Explanará sobre os temas: Os engenheiros ingleses que construiram a Bahia and São Francisco Railway e O fotógrafo Benjamin Mulock

Monique Sochaczewski Goldfeld

Doutoranda em História, Política e Bens Culturais pelo CPDOC-FGV e possui mestrado em Historia Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2004). Tem experiência na área de História, com ênfase em História Contemporânea e História das Relações Internacionais. Larga atuação também em organização de acervos e pesquisa de imagens e de conteúdo para projetos editoriais diversos. Co-organizadora do livro Iconografia Baiana do Século XIX na Biblioteca Nacional (2005). Explanará sobre o tema: A Fotografia na Bahia de Oitocentos.


Maria Clara Mariani Bittencourt
Diretora-Presidente da Fundação Clemente Mariani. Foi sua supervisão direta que, entre 2004 e 2006, a Fundação Clemente Mariani promoveu, associada ao FazCultura do Governo do Estado da Bahia, a restauração do Cemitério dos Ingleses de Salvador.

Rodolfo Teixeira
Médico, Presidente do Centro de Estudos Prof. Egas Moniz - CEPEM. Explanará sobre o tema: O papel de Dr. John Ligertwood Paterson na História da Medicina Brasileira.

Ricardo Chequer Chemas
Médico, neuropsiquiatra, pesquisador. Explanará sobre o tema: A arte cemiterial no Cemitério dos Ingleses da Bahia.

Sabrina Gledhill (Coordenadora e Palestrante)
Brasilianista. Realiza pesquisas sobre o Cemitério dos Ingleses e a presença britânica na Bahia e as contribuições de vários britânicos, do Almirante Cochrane a Edward Pellew Wilson. Projeto "A Presença Britânica na Bahia: uma Nova Ótica sobre a História do Brasil e a Grã-Bretanha" foi finalista do Prêmio Clarival do Prado Valladares em 2006. Mestre em Estudos Latino-Americanos pela UCLA (áreas de especialização: História, Antropologia e Ciência Política do Brasil).

Jaime Oliveira do Nascimento (Coordenador)
Historiador. Membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e o Instituto Genealógico da Bahia. Realiza pesquisas sobre o Conde dos Arcos e o Teatro São João. Organizador de simpósios sobre Manuel Querino, o Conde dos Arcos e a Presença Britânica na Bahia.

Wednesday, 8 October 2008

Release do Simpósio

No ano de 2008, o Brasil e a Bahia comemoram a chegada da Corte de Portugal. Com a finalidade de contribuir às reflexões históricas estimuladas por este bicentenário, o Simpósio internacional "Diplomacia, Economia e Cultura. A história da presença britânica na Bahia" debaterá a história da presença britânica na Bahia e a integração dos cidadãos britânicos no contexto histórico, político, social e cultural de uma época de extrema importância no desenvolvimento da cidade do Salvador. Também registrará a participação britânica no episódio da transmigração da família real portuguesa para o Brasil, e suas conseqüências como a abertura dos portos às nações amigas, o que veio a se tornar símbolo do relacionamento entre o Brasil e a Grã-Bretanha. Durante o simpósio, ocorrerão palestras e painéis com vários temas, da repressão do tráfico de escravos pela Marinha Britânica à vida e obra do médico escocês John Ligertwood Paterson, um dos pioneiros da Medicina brasileira e fundador do Hospital Couto Maia, transitando pela história diplomática, cultural, econômica e urbanística de Salvador e da Bahia.

O conferencista de abertura é Kenneth Light, autor do livro A viagem marítima da família real - A transferência da corte portuguesa para o Brasil (Rio: Zahar, 2008). O rol de palestrantes também inclui: Prof. Dra Consuelo Novais Sampaio, Prof. Dr. Ubiratan Castro de Araújo, Prof. Dr. Luiz Alberto Ribeiro Freire, Dr. João Sabido Costa, Cônsul Geral de Portugal na Bahia; Monique Sochaczewski, da Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro; Prof. Dr. Ricardo Chemas, Profa Dra Maria Helena Franca das Neves, Profa Dra Elizete da Silva, Profa Ms Etelvina Rebouças, Profa Dra Maria do Carmo Baltar, Dr. Júlio Casoy, Dr. Rodolfo Teixeira, Dra Maria Clara Mariani Bittencourt e Profa Ms Sabrina Gledhill.

Palestrantes internacionais: Prof. Dr. Marc Herold, professor de Economia, que há alguns anos, desenvolve estudos sobre o tema "Na sombra do açúcar: Poder e transformação na Bahia do século XX (dos senhores de engenho aos 'barões da petroquímica’”. O engenheiro John Vignoles, bisneto e tataraneto dos engenheiros que projetaram e construíram a Bahia and São Francisco Railway, de marcada influência no desenvolvimento econômico da Bahia. Profa Dra Louise H. Guenther, autora do livro Comerciantes Britânicos do Brasil de Oitocentos: Negócios, Cultura e Identidade na Bahia, 1808-50, publicado pelo Centro de Estudos Brasileiros da Oxford em 2004. Os trabalhos destes três pesquisadores são inéditos no Brasil.

O evento é direcionado para pesquisadores, estudantes, professores, membros da comunidade, visitantes e integrantes da comunidade britânica na Bahia, entre outros. As inscrições são gratuitas. Os interessados podem realizar pré-inscrição, até o dia 01 de novembro pelo email britanicosnabahia@gmail.com Considerando-se a limitação do número de vagas, haverá seleção dos participantes, que terão sua inscrição confirmada através de e-mail.

Organizadores: Sabrina Gledhill e Jaime Nascimento
Blog: britanicosnabahia.blogspot.com
Telefax: 71 3359 5145
Promoção: Sociedade da Igreja de São Jorge e Cemitério dos Ingleses
Realização: Five-Star International Communications – www.5star.com.br
Patrocínio: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia - Fapesb
Apoio: Centro de Memória da Bahia, Fundação Pedro Calmon

Friday, 26 September 2008

Local do Simpósio confirmado


O local do Simpósio entre os dias 3 e 7 de novembro será o Auditório da Biblioteca Central dos Barris, Rua General Labatut, 27, Salvador - BA. No dia 8, terá um evento especial na capela do Cemitério dos Ingleses, na Ladeira da Barra.

Saturday, 13 September 2008

Coluna de Jonatas Galvão Abbott



Uma tarde quente, em Salvador. Lá estava ele sentado em pleno Pelourinho. Parecido com meu pai, incrivelmente parecido.

Havia ouvido histórias de família, que relatavam a respeito do primeiro Abbott no Brasil que originara o meu próprio nome. Entre outras histórias algumas davam conta de que ele havia fundado a primeira faculdade de medicina do Brasil e o primeiro museu de arte do país com o pai do Castro Alves e do Rui Barbosa. Meia verdade.

Jonathas Abbott nasceu na Inglaterra e veio para o Brasil como cavalariço de um médico baiano. Começou na faculdade de Medicina (a primeira do Brasil e que fica no Pelourinho) como servente e chegou a vice-reitor sendo titular da cadeira de Anatomia. Considerado o primeiro colecionador de arte do Brasil, seu acervo deu origem a um dos primeiros museus de arte brasileiro, o da Bahia em 1918 (a informação está na capa do site do Museu de Arte da Bahia).

Junto com o pai do Rui Barbosa e o pai do Castro Alves fundou e presidiu em 1856 a Sociedade de Belas Artes, primeira associação de artes do Brasil. Sua coleção particular de mais de 400 obras, sendo muitas delas oriundas da Europa, originou o museu baiano.

Pois bem, entre tantas histórias de família sobre Jonathas Abbott resolvi arriscar em 2003 e visitar a faculdade de medicina da Bahia no pelourinho. Azar, estava de greve e não nos deixaram entrar. Eu, Roberto Franskowiak e o amigo Jairo Geiger, na época representante da Plug In na Bahia, não desistimos. Ao descobrir que quem queria visitar Jonathas Abbott era o próprio (ƒº) o guarda de plantão abriu as portas. Não consegui visitar o Gabinete Abbott, nome que foi dado ao museu de anatomia, que ele fundou e presidiu. Mas acabei encontrando Jonathas no pátio numa estátua de tamanho natural que anos depois foi copiada em molde de gesso.

A história se seguiu e Jonathas Abbott filho, médico formado na Bahia se mudou para São Gabriel no Rio Grande do Sul gerando o primeiro e único tronco dos Abbott no país. Seu filho Fernando Abbott, cujo irmão João dá nome a rua do bairro Petrópolis em Porto Alegre, foi presidente do Rio Grande do Sul e gerou meu avô, Er Pereira Abbott.

Bem, esta coluna mais do que tudo é um registro rápido de uma história familiar. Meu nome não tem H por causa da ditadura militar que entre outras bobagens extinguiu nomes “importados” no Brasil.

E acaba de ser lançado no Brasil “O diário de Jonathas Abbott” , pela editora Francisco Alves, livro que conta especialmente suas aventuras na Europa quando, já um médico conhecido, volta ao continente de origem e obtém o doutorado na universidade de Palermo.

O autor do livro? O Embaixador Fernando Abbott Galvão, do Rio Grande do Norte.

Curioso reencontro de sobrenomes com este colunista, Jonatas Galvão Abbott, cujo nome é justamente em homenagem ao primeiro Abbott no Brasil, um improvável cavalariço inglês que prosperou, empreendeu, lecionou e ajudou a estruturar a Arte no país...

OBS.: E cá entre nós. Me cansa só de ler. Eu apanho aqui para fazer uma coluna semanal e o meu homônimo secular assobiava e chupava cana ao mesmo tempo num remoto Brasil dos séculos XVIII e XIX.

OBS2.: Não li o livro mas a Folha de São Paulo fez ótima crítica, enfatizando a visão de um inglês naturalizado brasileiro que vê a Europa com os nosso olhos, e também pela descrição da medicina da época.




Jonatas Abbott é diretor de Comercial e Marketing da Dinamize, fotógrafo, idealizador do Papo de Primeira e autor de dois cases vencedores do Top de Marketing da ADVB, em 2003 e 2006.