Tuesday, 23 December 2008

Distribuição de certificados

Os certificados para o Simpósio e os Mini-Cursos já estão disponíveis. Verifique se seu nome consta nas listas neste link (arquivo em Excel). Os certificados serão distribuídos no Centro de Memória da Bahia, no terceiro andar da Biblioteca Pública dos Barris.

Friday, 14 November 2008

Fotos do "Cemetery tour" e das palestras na Capela


Relembrando a vida e obra de Dr. J.L.Paterson


Profa. Sabrina Gledhill,
fazendo as vezes de moderadora


Prof. Marc Herold discursando sobre a
contribuição econômica da Grã Bretanha na Bahia


O engenheiro John Vignoles,
falando sobre seus ancestrais

Fotos: Marc Herold e Sabrina Gledhill

Wednesday, 12 November 2008

Tem fotos?

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Se tiver fotos do simpósio, por favor mande para o blog: britanicosnabahia (arroba) gmail (ponto) com

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Mad Dogs and Englishmen - de Noël Coward


Visita ao Cemitério dos Ingleses, sábado 8 de nov

Clique na imagem para ver o slideshow
Visita ao Cemitério dos Ingleses

Cenas do simpósio

Clique nas imagens para ver os slideshows/Click on photos to see slideshows
Primeiro dia/Day one



Segundo dia/Day two


Terceiro dia/Day three


Quarto dia/Day four



Quinto Dia/Day 5 Foto: Walter J. O. da Silva
Da esquerda à direita: Dra. Maria Clara Mariani,
Dr. Ricardo Chequer Chemas, Profa. Sabrina
Gledhill (moderadora), Prof. Luiz Alberto
Ribeiro Freire

Tuesday, 11 November 2008

Conferência de abertura


Kenneth Light discursando sobre
A Transferência da Capital e Corte para o Brasil, 1807-1808
no dia 3 de novembro

Da esquerda à direita: Profa. Consuelo Novais Sampaio, Diretora do Centro de Memória da Bahia, Fundação Pedro Calmon; Dr. Sylvio Marback, Vice-Presidente do IGHB; Profa. Sabrina Gledhill, Dr. Nigel Lee, MBE, Presidente da Sociedade de S. Jorge e ex-Cônsul Honorário da Grã-Bretanha na Bahia; João Sabido da Costa, Cônsul Geral de Portugal na Bahia e Prof. Kenneth Light

Friday, 7 November 2008

Visita ao Cemitério dos Ingleses ("tour" em português)

Foto: Tim Divine

Esperamos os participantes do Simpósio e membros da comunidade britânica no "Cemitério dos Ingleses" amanhã, sábado, dia 08 de novembro. O "tour" começa às 15h00.

Fica ao lado do Yacht Club, na Ladeira da Barra.

Friday, 31 October 2008

Inscrições encerradas

Devido à grande demanda e as vagas limitadas, as inscrições estão encerradas. Entretanto, estamos aceitando inscrições para a lista de espera. A inscrição definitiva será confirmada na hora do credenciamento, entre as 8h30 e 9h30 de segunda-feira, dia 3 de novembro, no Auditório da Biblioteca Central dos Barris.

A Coordenação

Programação do Simpósio (atualizada)


De 03 a 08 de novembro de 2008


Segunda-feira dia 03 de novembro de 2008
Local – Auditório da Biblioteca Central (Barris)
8h30 às 9h30
Credenciamento

9h30
Abertura: Nigel Lee, Presidente da Sociedade de S. Jorge; Lesley Hanson de Moura, Consul Honorária da Grã Bretanha; Profa. Dra. Consuelo Novais Sampaio, Diretora do Centro de Memória, Fundação Pedro Calmon; Profa. Consuelo Pondé, Presidente do IGHB; Dr. João Sabido Costa, Cônsul Geral de Portugal na Bahia; Kenneth Light, conferencista de abertura

10h30
Conferência de Abertura: A Transferência da Capital e Corte para o Brasil, 1807-1808 – Prof. Kenneth Light

Local – Auditório da Biblioteca Central (Barris)
14h00
Palestra: A diplomacia de Portugal na guerra napoleônica e o deslocamento da Corte em 1808 – Dr. João Sabido Costa

Palestra: Lord Cochrane e Maria Graham: um aspecto da História da Independência da Bahia – Prof. Ms. Sabrina Gledhill

Palestra: A contribuição britânica à Bahia – Prof. Dr. Marc Herold


Debate e encerramento


Terça-feira dia 04 de novembro de 2008
Local – Auditório da Biblioteca Central (Barris)
9h00
Palestra: A estrada de ferro da Bahia ao São Francisco - BSFR – Prof. Ms. Etelvina Rebouças

Palestra: Os operários da BSFR – Prof. Ms. Robério S. Souza

Palestra: Charles Blacker Vignoles e Hutton Vignoles: Os engenheiros britânicos que construíram a BSFR – John Vignoles

Debate e encerramento

Local – Auditório da Biblioteca Central (Barris)
14h00
Palestra: John Ligertwood Paterson – Prof. Dr. Rodolfo Teixeira

Palestra: A fotografia na Bahia do século XIX – Monique Sochaczewski

Palestra: Benjamin Mulock – John Vignoles


Debate e encerramento


Quarta-feira dia 05 de novembro de 2008
Local – Biblioteca Central (Barris)
14h00
Palestra: Os ingleses na construção de obras públicas urbanas em Salvador – Prof. Dra. Consuelo Novais Sampaio

Palestra: A arquitetura do bairro da Vitória – Profa. Maria do Carmo Baltar

Palestra: A comunidade de comerciantes britânicos presente na Bahia na primeira metade do séc. XIX – Profa Dra. Louise Guenther

Debate e encerramento

Quinta-feira dia 06 de novembro de 2008
Local – Auditório da Biblioteca Central (Barris)
14h00
Palestra: O papel dos ingleses na repressão do tráfico de escravos – Prof. Ubiratan Castro de Araújo

Palestra: Jonathas Abbott: Um Lugar Memória da Bahia no século XIX– Profa. Dra. Maria Helena F. das Neves

Palestra: Os Anglicanos na Bahia – Prof. Dra. Elizete da Silva

Sexta-feira dia 07 de novembro de 2008
Local – Auditório da Biblioteca Central (Barris)
14h00
Palestra: O papel de Jonathas Abbott no mundo artístico da Bahia – Prof. Dr. Luiz Alberto Freire

Palestra: Arte Cemiterial no Cemitério dos Ingleses da Bahia – Prof. Ricardo Chemas

Conferência de encerramento: A restauração do Cemitério dos Ingleses na Bahia – Maria Clara Mariani


Sábado dia 08 de novembro de 2008
Local – Capela do Cemitério dos Ingleses na Barra

16h00
Evento em inglês (as mesmas apresentações destes palestrantes, mas desta vez, sem tradução)
Palestrantes:
Marc Herold - The British Contribution to Bahia
Louise Guenther - The British Merchant Community in Bahia in the 19th century
John Vignoles - Charles Blacker Vignoles and Hutton Vignoles: The British engineers who built the Bahia and São Francisco Railway

Wednesday, 29 October 2008

Alteração na programação dos mini-cursos

Devido à demanda, alteramos a programação dos mini-cursos para que todos os participantes possam freqüentar mais de um, ou todos os três, se desejarem. O local será o auditório da Biblioteca Central dos Barris

Quarta-Feira, dia 5 de novembro, das 8h30 às 12h00
Mini-Curso II – Etelvina Rebouças - A construção da ferrovia BSFR - Bahia and São Francisco Railway

Quinta-Feira, dia 6 de novembro, das 8h30 às 12h00
Mini-Curso I – Maria do Carmo Baltar - A arquitetura do bairro da Vitória

Sexta-Feira, dia 7 de novembro, das 8h30 às 12h00
Mini-Curso III – Monique Sochaczewski - A iconografia do século XIX

As inscrições são separadas - terão preferência as pessoas já inscritas no simpósio

Para se inscrever, por favor enviar seu nome completo, endereço, email e números para contato para britanicosnabahia (arroba) gmail (ponto) com

Friday, 24 October 2008

Conferencista de Abertura: Kenneth Light


O Simpósio abre às 9h30 no dia 3 de novembro de 2008, no auditório da Biblioteca Central dos Barris. O conferencista de abertura é Kenneth Light, autor de A viagem marítima da família real: A transferência da corte portuguesa para o Brasil (Zahar, 2008)

SINOPSE

Como foi a travessia dos Bragança de Portugal para o Brasil? D.João e Carlota Joaquina vieram na mesma embarcação? No mês em que se comemora os 200 anos da chegada da família real, o pesquisador Kenneth Light revela neste livro, pela primeira vez, as aventuras da corte na viagem pelo Atlântico. O leitor vai se deparar com uma descrição minuciosa das naus, detalhes sobre as rotas, a tripulação e as condições climáticas e marítimas durante o percurso. Uma narrativa que nasceu do ponto de vista de quem estava dentro dos navios, baseada nos escritos dos diários de bordo das naus britânicas, que escoltaram as embarcações portuguesas.

A pesquisa em documentos raros traz revelações surpreendentes. O leitor vai descobrir, por exemplo, que D. João foi um grande estadista, transferindo a corte para o Brasil por uma questão estratégica e não por medo.

Para escrever este livro, Kenneth Light recolheu material por uma década e, depois de muito procurar, encontrou, no Arquivo Nacional da Inglaterra, os diários de bordo das naus britânicas. Encomendou ainda ao inglês Geoff Hunt, presidente do Royal Society of Marine Artists, um quadro com a imagem da chegada da esquadra ao Rio, feito especialmente para a publicação.

E mais:

. Obra há muito esperada pelos historiadores.

. Minibiografias dos principais personagens e um glossário de termos náuticos.

. Para ilustrar o seu livro, Kenneth Light encomendou um quadro que mostra o momento exato da chegada das naus ao Brasil. Veja a imagem clicando aqui.


“O que se comeu, como era o dia-a-dia, como se media o tempo, qual era o número de marinheiros empregados e o soldo correspondente, como se organizavam os navios... todos esses detalhes saborosos aparecem no livro e ajudam a compor um quadro mais vivo dessa longa viagem.” da apresentação de Lilia Schwarcz


Kenneth Light nasceu em 1938 no Rio de Janeiro e foi criado na Inglaterra. Depois de sua aposentadoria, em 1990, dedicou-se a estudar história, principalmente britânica, portuguesa e brasileira.

Saturday, 18 October 2008

International Symposium on Diplomacy, Economics, the Arts & Culture: The History of the British Presence in Bahia

This blog is devoted to the symposium that will be held between 3 and 8 November 2008 in Salvador, Bahia.

This cultural event is being promoted by the St. George’s Society and has the support and approval of the British Embassy, is in receipt of funding from FAPESB and is being hosted by the Centro de Memória da Bahia, Fundação Pedro Calmon from 3 to 7 November.

Participation is free of charge; however, places are limited. If you are interested in participating, please contact Sabrina Gledhill at britanicosnabahia@gmail.com to reserve your place.

From 3 to 7 Nov, the programme will be in Portuguese at the auditorium of the Central Library in Barris. On the 8th, a special event will be held at the British Cemetery Chapel, where the presentations that were translated during the main event will be given once again in English, without translation:

Marc Herold - The British Contribution to Bahia
Louise Guenther - The British Merchant Community in Bahia in the 19th century
John Vignoles - Charles Blacker Vignoles and Hutton Vignoles: The British engineers who built the Bahia and São Francisco Railway

Tuesday, 14 October 2008

Palestrantes confirmados (lista atualizada)

Kenneth Light
Conferencista de Abertura. Autor do livro A viagem marítima da família real - A transferência da corte portuguesa para o Brasil (Rio: Zahar, 2008). O pesquisador Kenneth Light analisa de maneira minuciosa os diários de bordo das embarcações que acompanharam a Família Real ao Brasil. Assim, provoca o naufrágio de mitos a respeito da precariedade da viagem e da idéia de que a Coroa portuguesa fugia de forma desesperada dos homens de Napoleão. Kenneth Light estuda há dez anos a intensa relação entre as histórias de Portugal, Brasil e Inglaterra no século XIX, seguindo passageiros, capitães e marinheiros embarcados na viagem de 1808. A riqueza de conceitos do trabalho de Kenneth Light é fruto de um cuidado historiográfico fortemente comprometido com a análise precisa das fontes, capaz de comungar saberes marítimos, tecnológicos e culturais a serviço de um texto histórico de qualidade. Explanará sobre o tema: A Transferência da Capital e Corte para o Brasil, 1807-1808

Consuelo Novais Sampaio
Historiadora. Doutorado pela The Johns Hopkins University, Estados Unidos (1979); Pós-Doutorado pela University of California Los Angeles, Estados Unidos (1986); Atuação em História da América, com ênfase em História Latino-Americana; Diretora do Centro de Memória da Bahia da Fundação Pedro Calmon, Brasil; em 2004 ganhou o Prêmio Clarival do Prado Valadares da Organização Odebrecht, que levou à publicação do livro 50 anos de urbanização – Salvador da Bahia no século XIX, de sua autoria. Explanará sobre o tema: Os ingleses na construção de obras públicas urbanas em Salvador

Ubiratan Castro de Araújo

Historiador. Possui graduação em História pela Universidade Católica do Salvador (1970) , graduação em Direito pela Universidade Federal da Bahia (1971) , mestrado em História pela Université de Paris X, Nanterre (1973) e doutorado em História pela Universite de Paris IV (Paris-Sorbonne) (1992) . Diretor Geral da Fundação Pedro Calmon. Explanará sobre o tema: Os ingleses e a repressão do tráfico de escravos para o Brasil

João Sabido Costa
Cônsul de Portugal na Bahia. Explanará sobre o tema: A diplomacia de Portugal na guerra napoleônica e o deslocamento da Corte em 1808

Luiz Alberto Ribeiro Freire
Nascido na cidade baiana de Juazeiro, em 1962, onde fez o curso primário e ginasial; Doutorou-se em História da Arte pela Universidade do Porto, Portugal (2001). Leciona na Escola de Belas Artes da UFBA as disciplinas de História da Arte ocidental e História da Arte Brasileira, lidera o grupo de pesquisa História das Artes Visuais Brasileiras. É membro do Comitê Brasileiro de História da Arte - CBHA e da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas - ANPAP. É vice-diretor da Escola de Belas Artes da UFBA. Em 2005 ganhou o Prêmio Clarival do Prado Valadares da Organização Odebrecht, o que facultou a ampliação da pesquisa da tese e a publicação em 2006 do livro A Talha Neoclássica na Bahia. Por essa publicação o autor recebeu o prêmio Sérgio Milliet da Associação Brasileira de Críticos de Arte - ABCA. Explanará sobre o tema: O papel de Jonathas Abbott no mundo artístico da Bahia.

Maria Helena Franca das Neves
Doutorado em Teorias e Críticas da Literatura e da Cultura pela Universidade Federal da Bahia, Brasil(2002). Analista Cultural da Fundação Cultural do Estado da Bahia, Brasil. Explanará sobre o tema: Jonathas Abbott: Um Lugar Memória da Bahia no século XIX

Louise H. Guenther
Autora do livro British Merchants in Nineteenth-Century Brazil: Business, Culture and Identity in Bahia, 1808-50 (Oxford: Center for Brazilian Studies, 2004). PhD da Universidade de Minnesota. Explanará sobre o tema: Os ingleses na Bahia oitocentista.

Marc W. Herold
Economista, Professor de Economia da Universidade de New Hampshire. Pesquisador da história econômica da Bahia. Há alguns anos, desenvolve estudos sobre o tema "Na sombra do açúcar: Poder e transformação na Bahia do século XX (dos senhores de engenho aos 'barões da petroquímica')", um trabalho inédito de 560 páginas. Explanará sobre o tema: A contribuição britânica à economia da Bahia (1820/1920).

Elizete da Silva
Possui graduação em História pela Universidade Federal da Bahia (1976), mestrado em História Social pela Universidade Federal da Bahia (1982) e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo (1998). Atualmente é professora titular e pleno da Universidade Estadual de Feira de Santana. Tem experiência na área de História, com ênfase em Historia das Religiões, atuando principalmente nos seguintes temas: ferroviários, Bahia, religião, resistência e protestantismo. Tese de doutorado sobre os anglicanos no Brasil.

Etelvina Rebouças Fernandes
Arquiteta. Possui graduação em Arquitetura pela Universidade Federal da Bahia (1970) e especialização em Política E Estratégia pela Universidade do Estado da Bahia (2000). Atualmente é Arquiteta do Instituto do Patrimônio Artístico E Cultural. Atuando principalmente nos seguintes temas: FERROVIA, SERTÃO, DESENVOLVIMENTO. Autora do livro: Do mar da Bahia ao Rio do Sertão: Bahia and San Francisco Railway (2006).

Robério S. Souza
Possui graduação em História pela Universidade Estadual de Feira de Santana (2004), Mestrado em História Social do Trabalho pela UNICAMP (2007). Atualmente é Doutorando em História Social da Cultura também pela UNICAMP ( a partir de 2007). Atua principalmente nos seguintes temas: Estradas de ferro, trabalhadores das ferrovias, história social do trabalho no século XIX e no início do século XX, com enfoque nos temas relacionados à experiência da escravidão e da liberdade. Explanará sobre o tema: Trabalhadores das ferrovias na Bahia: o caso da Estrada de Ferro da Bahia ao São Francisco, século XIX


Maria do Carmo Baltar
Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Pernambuco (1988) , especialização em Especialização Em Conservação e Restauração de Mon pela Universidade Federal da Bahia (1990) , mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal da Bahia (1997). Atualmente é Professora de 1º e 2º grau do Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia. Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo. Explanará sobre o tema: A arquitetura do bairro da Vitória


John Vignoles

Engenheiro e pesquisador. Pesquisa os engenheiros que construíram a Bahia and San Francisco Railway - BSFR. Bisneto e tataraneto de Hutton Vignoles e Charles Blacker Vignoles, respectivamente o engenheiro residente e engenheiro responsável pela construção da BSFR. Explanará sobre os temas: Os engenheiros ingleses que construiram a Bahia and São Francisco Railway e O fotógrafo Benjamin Mulock

Monique Sochaczewski Goldfeld

Doutoranda em História, Política e Bens Culturais pelo CPDOC-FGV e possui mestrado em Historia Política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2004). Tem experiência na área de História, com ênfase em História Contemporânea e História das Relações Internacionais. Larga atuação também em organização de acervos e pesquisa de imagens e de conteúdo para projetos editoriais diversos. Co-organizadora do livro Iconografia Baiana do Século XIX na Biblioteca Nacional (2005). Explanará sobre o tema: A Fotografia na Bahia de Oitocentos.


Maria Clara Mariani Bittencourt
Diretora-Presidente da Fundação Clemente Mariani. Foi sua supervisão direta que, entre 2004 e 2006, a Fundação Clemente Mariani promoveu, associada ao FazCultura do Governo do Estado da Bahia, a restauração do Cemitério dos Ingleses de Salvador.

Rodolfo Teixeira
Médico, Presidente do Centro de Estudos Prof. Egas Moniz - CEPEM. Explanará sobre o tema: O papel de Dr. John Ligertwood Paterson na História da Medicina Brasileira.

Ricardo Chequer Chemas
Médico, neuropsiquiatra, pesquisador. Explanará sobre o tema: A arte cemiterial no Cemitério dos Ingleses da Bahia.

Sabrina Gledhill (Coordenadora e Palestrante)
Brasilianista. Realiza pesquisas sobre o Cemitério dos Ingleses e a presença britânica na Bahia e as contribuições de vários britânicos, do Almirante Cochrane a Edward Pellew Wilson. Projeto "A Presença Britânica na Bahia: uma Nova Ótica sobre a História do Brasil e a Grã-Bretanha" foi finalista do Prêmio Clarival do Prado Valladares em 2006. Mestre em Estudos Latino-Americanos pela UCLA (áreas de especialização: História, Antropologia e Ciência Política do Brasil).

Jaime Oliveira do Nascimento (Coordenador)
Historiador. Membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e o Instituto Genealógico da Bahia. Realiza pesquisas sobre o Conde dos Arcos e o Teatro São João. Organizador de simpósios sobre Manuel Querino, o Conde dos Arcos e a Presença Britânica na Bahia.

Wednesday, 8 October 2008

Release do Simpósio

No ano de 2008, o Brasil e a Bahia comemoram a chegada da Corte de Portugal. Com a finalidade de contribuir às reflexões históricas estimuladas por este bicentenário, o Simpósio internacional "Diplomacia, Economia e Cultura. A história da presença britânica na Bahia" debaterá a história da presença britânica na Bahia e a integração dos cidadãos britânicos no contexto histórico, político, social e cultural de uma época de extrema importância no desenvolvimento da cidade do Salvador. Também registrará a participação britânica no episódio da transmigração da família real portuguesa para o Brasil, e suas conseqüências como a abertura dos portos às nações amigas, o que veio a se tornar símbolo do relacionamento entre o Brasil e a Grã-Bretanha. Durante o simpósio, ocorrerão palestras e painéis com vários temas, da repressão do tráfico de escravos pela Marinha Britânica à vida e obra do médico escocês John Ligertwood Paterson, um dos pioneiros da Medicina brasileira e fundador do Hospital Couto Maia, transitando pela história diplomática, cultural, econômica e urbanística de Salvador e da Bahia.

O conferencista de abertura é Kenneth Light, autor do livro A viagem marítima da família real - A transferência da corte portuguesa para o Brasil (Rio: Zahar, 2008). O rol de palestrantes também inclui: Prof. Dra Consuelo Novais Sampaio, Prof. Dr. Ubiratan Castro de Araújo, Prof. Dr. Luiz Alberto Ribeiro Freire, Dr. João Sabido Costa, Cônsul Geral de Portugal na Bahia; Monique Sochaczewski, da Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro; Prof. Dr. Ricardo Chemas, Profa Dra Maria Helena Franca das Neves, Profa Dra Elizete da Silva, Profa Ms Etelvina Rebouças, Profa Dra Maria do Carmo Baltar, Dr. Júlio Casoy, Dr. Rodolfo Teixeira, Dra Maria Clara Mariani Bittencourt e Profa Ms Sabrina Gledhill.

Palestrantes internacionais: Prof. Dr. Marc Herold, professor de Economia, que há alguns anos, desenvolve estudos sobre o tema "Na sombra do açúcar: Poder e transformação na Bahia do século XX (dos senhores de engenho aos 'barões da petroquímica’”. O engenheiro John Vignoles, bisneto e tataraneto dos engenheiros que projetaram e construíram a Bahia and São Francisco Railway, de marcada influência no desenvolvimento econômico da Bahia. Profa Dra Louise H. Guenther, autora do livro Comerciantes Britânicos do Brasil de Oitocentos: Negócios, Cultura e Identidade na Bahia, 1808-50, publicado pelo Centro de Estudos Brasileiros da Oxford em 2004. Os trabalhos destes três pesquisadores são inéditos no Brasil.

O evento é direcionado para pesquisadores, estudantes, professores, membros da comunidade, visitantes e integrantes da comunidade britânica na Bahia, entre outros. As inscrições são gratuitas. Os interessados podem realizar pré-inscrição, até o dia 01 de novembro pelo email britanicosnabahia@gmail.com Considerando-se a limitação do número de vagas, haverá seleção dos participantes, que terão sua inscrição confirmada através de e-mail.

Organizadores: Sabrina Gledhill e Jaime Nascimento
Blog: britanicosnabahia.blogspot.com
Telefax: 71 3359 5145
Promoção: Sociedade da Igreja de São Jorge e Cemitério dos Ingleses
Realização: Five-Star International Communications – www.5star.com.br
Patrocínio: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia - Fapesb
Apoio: Centro de Memória da Bahia, Fundação Pedro Calmon

Friday, 26 September 2008

Local do Simpósio confirmado


O local do Simpósio entre os dias 3 e 7 de novembro será o Auditório da Biblioteca Central dos Barris, Rua General Labatut, 27, Salvador - BA. No dia 8, terá um evento especial na capela do Cemitério dos Ingleses, na Ladeira da Barra.

Saturday, 13 September 2008

Coluna de Jonatas Galvão Abbott



Uma tarde quente, em Salvador. Lá estava ele sentado em pleno Pelourinho. Parecido com meu pai, incrivelmente parecido.

Havia ouvido histórias de família, que relatavam a respeito do primeiro Abbott no Brasil que originara o meu próprio nome. Entre outras histórias algumas davam conta de que ele havia fundado a primeira faculdade de medicina do Brasil e o primeiro museu de arte do país com o pai do Castro Alves e do Rui Barbosa. Meia verdade.

Jonathas Abbott nasceu na Inglaterra e veio para o Brasil como cavalariço de um médico baiano. Começou na faculdade de Medicina (a primeira do Brasil e que fica no Pelourinho) como servente e chegou a vice-reitor sendo titular da cadeira de Anatomia. Considerado o primeiro colecionador de arte do Brasil, seu acervo deu origem a um dos primeiros museus de arte brasileiro, o da Bahia em 1918 (a informação está na capa do site do Museu de Arte da Bahia).

Junto com o pai do Rui Barbosa e o pai do Castro Alves fundou e presidiu em 1856 a Sociedade de Belas Artes, primeira associação de artes do Brasil. Sua coleção particular de mais de 400 obras, sendo muitas delas oriundas da Europa, originou o museu baiano.

Pois bem, entre tantas histórias de família sobre Jonathas Abbott resolvi arriscar em 2003 e visitar a faculdade de medicina da Bahia no pelourinho. Azar, estava de greve e não nos deixaram entrar. Eu, Roberto Franskowiak e o amigo Jairo Geiger, na época representante da Plug In na Bahia, não desistimos. Ao descobrir que quem queria visitar Jonathas Abbott era o próprio (ƒº) o guarda de plantão abriu as portas. Não consegui visitar o Gabinete Abbott, nome que foi dado ao museu de anatomia, que ele fundou e presidiu. Mas acabei encontrando Jonathas no pátio numa estátua de tamanho natural que anos depois foi copiada em molde de gesso.

A história se seguiu e Jonathas Abbott filho, médico formado na Bahia se mudou para São Gabriel no Rio Grande do Sul gerando o primeiro e único tronco dos Abbott no país. Seu filho Fernando Abbott, cujo irmão João dá nome a rua do bairro Petrópolis em Porto Alegre, foi presidente do Rio Grande do Sul e gerou meu avô, Er Pereira Abbott.

Bem, esta coluna mais do que tudo é um registro rápido de uma história familiar. Meu nome não tem H por causa da ditadura militar que entre outras bobagens extinguiu nomes “importados” no Brasil.

E acaba de ser lançado no Brasil “O diário de Jonathas Abbott” , pela editora Francisco Alves, livro que conta especialmente suas aventuras na Europa quando, já um médico conhecido, volta ao continente de origem e obtém o doutorado na universidade de Palermo.

O autor do livro? O Embaixador Fernando Abbott Galvão, do Rio Grande do Norte.

Curioso reencontro de sobrenomes com este colunista, Jonatas Galvão Abbott, cujo nome é justamente em homenagem ao primeiro Abbott no Brasil, um improvável cavalariço inglês que prosperou, empreendeu, lecionou e ajudou a estruturar a Arte no país...

OBS.: E cá entre nós. Me cansa só de ler. Eu apanho aqui para fazer uma coluna semanal e o meu homônimo secular assobiava e chupava cana ao mesmo tempo num remoto Brasil dos séculos XVIII e XIX.

OBS2.: Não li o livro mas a Folha de São Paulo fez ótima crítica, enfatizando a visão de um inglês naturalizado brasileiro que vê a Europa com os nosso olhos, e também pela descrição da medicina da época.




Jonatas Abbott é diretor de Comercial e Marketing da Dinamize, fotógrafo, idealizador do Papo de Primeira e autor de dois cases vencedores do Top de Marketing da ADVB, em 2003 e 2006.

Tuesday, 9 September 2008

Artigo sobre o médico britânico JL Paterson

HISTORIA DA MEDICINA
artigo 52
A CHEGADA DO JOVEM DR. JOHN LIGERTWOOD PATERSON À CIDADE DA BAHIA, EM 1842, PARA EXERCER O SACERDÓCIO DA MEDICINA
Dr. Antonio Carlos Nogueira Britto
Vice-presidente do Instituto Bahiano de História da Medicina e Ciências Afins.
Fundado em 29 de novembro de 1946

John Ligertwood Paterson (1820-1882), Otto Wucherer (1820-1873) e José Francisco da Silva Lima (1826-1910) foram os precursores da medicina experimental no Brasil, no âmbito das moléstias tropicais, na segunda metade do século XIX, formando a notável Escola Tropicalista da Bahia.

Paterson, nascido no condado de Aderbeen, na Escócia, em 14 de setembro de 1820, recebeu o título de Doutor em Medicina em 29 de abril de 1841. Chegando à cidade da Bahia em 1842, submeteu-se, na Faculdade de Medicina da Bahia, ao Terreiro de Jesus, a exame de suficiência e verificação de título, com aprovação em 07 de novembro de 1842.

Notabilizou-se no combate à febre amarela e cólera-morbo, mormente pelo seu elevado desprendimento em atender os mais carentes.

Em recente pesquisa por mim desenvolvida, emocionei-me deveras ao perlustrar singular manuscrito, inédito e original, que registra para a posteridade, com detalhes, a chegada do jovem Dr. Paterson à cidade da Bahia em 1842, quando solicitou às autoridades policiais, título de residência na capital da província da Bahia.

Eis, na íntegra, o traslado do singular e histórico documento, respeitando a ortografia da época:

“Aos vinte dias do mes de Agosto de mil oitocentos equarenta e dous annos, empresença do Dezembargador Chefe da Policia da Provincia Antonio Simóes da Silva compareceo n’esta Secretaria da Policia John L. Paterson Subdito Portuguez, Natural digo Ingles, Natural da Inglaterra, idade vinte e dous annos, solteiro, vive de ser Medico, veio para o mesmo fim, declarou residir na rua dos Barris casa de rossa; eter chegado a esta Cidade no dia desenove do mes de Agosto do anno corrente no Navio Ingles Broad Oak vindo de Liverpool. Apresentou documento que ficou archivado; obteve titulo de residencia pelo praso de hum anno. Epara cumprimento do exposto assignou o presente. Eu Manoel Joaquim Garcia oescrevy.

John L. Paterson”

Observação: à margem superior esquerda do documento em tela estava registrado: “Estatura alta. Cor alva. Cabellos louros. Olhos az. Nariz reg. Boca reg. Barba serrada. Rosto compr.do

À margem superior direita do mesmo documento, estava consignado: “Foi reformado para sempre em 28 de julho de 1845”

Pesquisando o alentado livro do “Commisariado de Policia do Porto da provincia da Bahia” – “Livro de entradas de passageiros”, verifiquei que o Dr. Paterson, falecido a 9 de dezembro de 1882, nesta capital, retornou da Escócia, em companhia de um filho, em 27 de junho de 1882, viajando no vapor “Tagus”, procedente de Southampton, sendo provavelmente a última viagem transoceânica do sábio.


FOTOS

Fotografias do livro: “A Escola Tropicalista Bahiana” de Antonio Caldas Coni. Livraria Progresso Editora: Salvador, 1952.


FONTES PRIMÁRIAS

DOCUMENTAÇÃO MANUSCRITA – INÉDITA E ORIGINAL

Arquivo Público do Estado da Bahia – Seção de Arquivo Colonial e Provincial – Polícia – Títulos de Residência dos estrangeiros (1842-1843) – Nº 5659 – Fl. 186.

Cf.: Britto, ACN. A Medicina Baiana nas Brumas do Passado. 1.ª edição. Contexto & Arte Editorial: Salvador, p. 227-228, 2002.

Saturday, 30 August 2008

Destino de Grandes e Pequenos

Versão atualizada do artigo publicado no Caderno Cultural de A Tarde em 3 de dezembro de 2005

de Sabrina Gledhill

Informou-me que subir na vida através dos empreendimentos era, de um lado, o caminho de homens de destinos desesperados ou, de outro lado, homens de aspirações e destinos superiores, que se tornam famosos pelas suas realizações descomunais

(Daniel Defoe, in Robinson Crusoé)

O estrangeiro...o outro lado do mundo. Desde seu descobrimento, esta parte do planeta foi vista pelos europeus como um lugar de perigos e oportunidades. Os ingleses, presos por séculos a um sistema de classe que só valorizava aqueles que viviam de renda, menosprezando o comerciante e vendo o operário como escória, tinham poucas oportunidades de ascensão social.

Um pobre, homem ou mulher, condenado ao degredo por furto ou roubo. Alguém que nasceu em berço de ouro, mas sem direito a herança por ser o irmão mais novo do morgado. O segundo ou terceiro filho de um comerciante, designado a estudar direito ou medicina, que se rebelava contra seu destino. Um homem infeliz no amor. Um homem pobre, mas culto, procurando construir um patrimônio que o deixaria livre para se casar e formar uma família. Um caixeiro ou agricultor. Um engenheiro. Um naturalista, artista ou fotógrafo. Um médico. Um religioso. Um marujo ou oficial na marinha mercante ou na Real Marinha Britânica. Uma mulher acompanhando seu cônjuge ou seus pais, mas também aquela que, por qualquer motivo, resolveu “dar a volta ao mundo”. Além dos grandes comerciantes e empresários ingleses, que vieram enriquecer – e enriqueceram – aqui, todos estes cidadãos comuns fizeram parte das sucessivas levas de emigrantes britânicos que enfrentaram os perigos para buscar uma vida melhor em terras tropicais. Alguns foram espelhados em personagens de ficção.

A literatura inglesa está repleta de histórias de viajantes e de imagens do Novo Mundo e mais especificamente do Brasil como o destino dos irrequietos e empreendedores. Encontramos uma das mais conhecidas – vinda de um livro amplamente difundido – em Robinson Crusoé (1719), onde, depois de muitos sofrimentos, a personagem titular vive seu happy ending graças à fortuna que acumulou com sua fazenda no Brasil, mesmo padecendo 27 anos numa ilha deserta. Para o autor, Daniel Defoe, escrevendo no início do século XVIII, a América era um lugar de perigos, mas também uma fonte de riqueza que podia ser usufruída até a distância.

Em O morro dos ventos uivantes (1847), de Emily Bronte, o protagonista Heathcliff sai da Inglaterra desgostoso e volta um homem rico, disposto a vingar-se de todos que o humilharam e da mulher que o desprezou. A origem de sua repentina fortuna nunca é esclarecida, mas uma coisa fica clara – ainda em meados do século XIX, a solução que a autora escolheu para fazer um personagem pobre enriquecer da noite para o dia foi uma viagem para o estrangeiro.

Uma história mais realista faz parte do romance A mulher vestida de branco (1861), de Wilkie Collins. Um dos narradores, um professor de desenho artístico, se junta a uma expedição à América Central como desenhista para esquecer um amor impossível (mesmo sendo de boa família, ele não pode se casar com uma rica herdeira, porque seria considerado um gigolô). Ao invés de voltar rico, tem sorte de retornar com vida depois de sobreviver aos três maiores perigos de qualquer viagem para o Novo Mundo no oitocentos – ataques indígenas, doenças e naufrágios. Publicados em série, como as obras de Dickens, os romances de Collins eram a coqueluche na Inglaterra e de ingleses expatriados no mundo todo – os vitorianos enfrentavam filas quilométricas para comprar o próximo capítulo.

CONDIÇÕES VANTAJOSAS – Já no final do século XIX, no romance Tess (1891), o autor Thomas Hardy escolhe justamente o Brasil como o lugar para onde Angel Clare foge quando descobre que sua esposa, Tess, não era virgem quando casou-se com ele, porque fora violentada por um suposto parente.

Nas suas andanças, ele observou nos arrabaldes de uma cidadezinha um cartaz vermelho e azul que proclamava as grandes vantagens do Império do Brasil, como campo para o agricultor emigrante. A terra lá era oferecida em condições excepcionalmente vantajosas. O Brasil atraiu-o como uma idéia nova. A Tess poderia juntar-se a ele lá algum dia, e talvez nesse país de cenários, noções e hábitos diferentes as convenções não fossem tão influentes que lhe tornassem impraticável a vida com Tess. Em suma, estava intensamente inclinado a tentar o Brasil, ainda mais porque a ocasião mais propícia de ir para lá se aproximava.

Angel Clare supera o preconceito dos pais evangélicos e parte para aquela terra “papista” cheio de esperança. Infelizmente, as realidades e os perigos dos trópicos para o emigrante incauto – inclusive a febre amarela e a “febre intermitente” (malária) – acabam com o sonho de enriquecimento e esquecimento. As cartas de Tess chegam até os confins do país e chamam Angel Clare de volta à Inglaterra, mais morto do que vivo.

O pai, também, ficou chocado ao vê-lo, tão reduzida estava aquela figura dos seus contornos antigos pela preocupação e pela má estação que Clare tinha vivido, num clima para o qual ele fugira tão precipitadamente (...) Podia ver-se o esqueleto por trás do homem, e quase o espectro por trás do esqueleto. Igualava-se ao Christus morto do Crivelli. As órbitas afundadas tinham uma tonalidade mórbida e o brilho se esmaecera dos olhos. As cavidades angulosas e as rugas de seus idosos antepassados reinavam no seu rosto 20 anos antes de seu tempo.

Além do passado trágico da Tess, o Angel também foi vítima de propaganda enganosa.

FILHA DO SOL As histórias de Sherlock Holmes, escritas por Sir Arthur Conan Doyle na virada do século, contêm vários casos de ingleses e norte-americanos que não somente enriqueceram como casaram no estrangeiro. Para o autor, estes enlaces com mulheres tropicais também tinham seus perigos. No conto intitulado “O problema da Ponte de Thor” (1927), a suposta vítima de assassinato é uma brasileira, a esposa maltratada de um senador norte-americano chamado Neil Gibson, “o Rei do Ouro”, que a conheceu em Manaus quando “andava pelo Brasil, em busca de ouro”. Ela é descrita assim: “Era uma criatura dos trópicos, nascida no Brasil (....) Tropical por nascença, de natureza tropical. Filha do sol e da paixão. Ela amou-o como este tipo de mulher sabe amar, mas quando seus atrativos físicos – e dizem que já foram consideráveis – se esvaeceram, não havia mais nada que o prendesse a ela”.

Em contraste, a suposta assassina é uma jovem e bela governanta, Srta. Dunbar – a flor da castidade e da espiritualidade; uma rosa inglesa. No final, o famoso detetive descobre que, por ciúmes, a Sra. Maria Pinto de Gibson planejou sua própria morte, justamente para incriminar a inocente Srta. Dunbar.

A experiência fictícia do Gibson reflete o pensamento do autor inglês que escreveu com o pseudônimo de “Jacaré Assu” sobre os perigos da miscigenação dos ingleses e outras “raças”:

Vamos manter esta conexão (econômica), que já é bastante estreita, mas evitar que nos leve além dos limites dos relacionamentos puramente platônicos. Vamos festejar os laços comerciais que nos unem e os lucros sólidos que cada um gera para o outro... mas devemos rebelar antes de aceitar a mistura de duas raças antagônicas que produziria objetos de mútua repreensão e censura... Desta maneira, evitaremos a tendência de deslizar da base segura das relações amistosas... para os agrados sedutores de uma ligação que só pode resultar numa prole de ingleses crioulos ou até ‘vira-latas’, exemplos depauperados da insensatez dos pais. (“Jacaré Assu”, 1873).

FÍSICO E MENTAL – Tanto na ficção e nos estudos supostamente científicos, muitos autores ingleses forneceram uma visão distorcida dos trópicos e sua influência na raça e na alma humana. Por exemplo, o historiador e sociólogo Henry Buckle (1821-1862), que nunca pisou no Brasil, fez uma análise detalhada da influência do clima tropical que chegou a ser traduzido ao português por Sílvio Romero.

Em seu livro lançado em 1857, Introduction to the history of civilization in England, Buckle afirmava que o progresso da civilização européia marcava-se pela influência cada vez menor do mundo natural, e, na Europa em geral e na Inglaterra em particular, as forças mentais acabariam por sobrepujar às condições físicas. No entanto, negava tal fato para os demais continentes, nomeadamente para o Brasil, país que estaria acima de qualquer outro no que se refere à abundância de vida natural e onde a grandiosidade da natureza não deixaria espaço para o homem que, por isso mesmo, estaria condenado a viver eternamente em condições primitivas.

Portanto, muitos ingleses tiveram uma imagem do Brasil que chegou a ser ironizada assim por James W. Wells, um engenheiro inglês que morou muitos anos neste país: “Para a maioria do povo britânico, o Brasil é uma daquelas repúblicas sul-americanas, tá sabendo, localizada em algum lugar da América do Sul, propensa a revoluções, terremotos e Yellow Jack (febre amarela) e tudo mais, tá sabendo? E por incrível que pareça, tem um imperador que acorda absurdamente cedo... e os brasileiros são espanhóis”.

Verossímeis ou não, contos, romances e relatos sobre aventuras no estrangeiro ajudaram a incentivar muitos ingleses a tentarem a sorte no Brasil na vida real, principalmente no século XIX, depois da abertura dos portos em 1808. Alguns voltaram ricos, outros, doentes e pobres, mas alguns ficaram aqui – enterrados no Cemitério dos Ingleses da Bahia e outros campos santos, vítimas de doenças como a cólera morbus, febre amarela, tifo e até de insolação, ou encantados pela terra e seus “filhos do sol e da paixão”. Descartando os conselhos de “Jacaré Assu”, estes casaram, tiveram filhos e netos, e hoje, como resultado, uma grande porção da sociedade baiana tem ancestrais e até sobrenomes britânicos como Edington, Buckingham, Hughes, Marback, Paterson, Wilson e muitos outros que já se tornaram brasileiros.

Tuesday, 19 August 2008

Palestrantes confirmados

Kenneth Light
Conferencista de Abertura. Autor do livro A viagem marítima da família real - A transferência da corte portuguesa para o Brasil (Rio: Zahar, 2008) O pesquisador Kenneth Light analisa de maneira minuciosa os diários de bordo das embarcações que acompanharam a Família Real ao Brasil. Assim, provoca o naufrágio de mitos a respeito da precariedade da viagem e da idéia de que a Coroa portuguesa fugia de forma desesperada dos homens de Napoleão. Kenneth Light estuda há dez anos a intensa relação entre as histórias de Portugal, Brasil e Inglaterra no século XIX, seguindo passageiros, capitães e marinheiros embarcados na viagem de 1808. A riqueza de conceitos do trabalho de Kenneth Light é fruto de um cuidado historiográfico fortemente comprometido com a análise precisa das fontes, capaz de comungar saberes marítimos, tecnológicos e culturais a serviço de um texto histórico de qualidade.

Consuelo Novais Sampaio
Historiadora. Autora do livro 50 anos de urbanização – Salvador da Bahia no século XIX, entre outros. Diretora do Centro de Memória da Bahia, Fundação Pedro Calmon.

Louise H. Guenther
Autora do livro British Merchants in Nineteenth-Century Brazil: Business, Culture and Identity in Bahia, 1808-50 (Oxford: Center for Brazilian Studies, 2004). PhD da Universidade de Minnesota.

Marc W. Herold
Economista, Professor de Economia da Universidade de New Hampshire. Pesquisador da história econômica da Bahia.

Elizete da Silva
Professora de História das Religiões da Universidade Estadual de Feira de Santana e coordenadora do Mestrado. Tese de doutorado sobre os anglicanos no Brasil.

Etelvina Rebouças Fernandes
Arquiteta. Autora do livro: Do mar da Bahia ao Rio do Sertão: Bahia and San Francisco Railway (2006).

John Vignoles
Engenheiro e pesquisador. Pesquisa os engenheiros que construíram a Bahia and San Francisco Railway - BSFR. Bisneto e tataraneto de Hutton Vignoles e Charles Blacker Vignoles, respectivamente o engenheiro residente e engenheiro responsável pela construção da BSFR.

Monique Sochaczewski Goldfeld
Doutoranda do CPDOC da Fundação Getúlio Vargas (História, Política e Bens Culturais). Co-organizadora do livro Iconografia Baiana do Século XIX na Biblioteca Nacional (2005).

Maria Clara Mariani Bittencourt
Diretora-Presidente da Fundação Clemente Mariani. Foi sua supervisão direta que, entre 2004 e 2006, a Fundação Clemente Mariani promoveu, associada ao FazCultura do Governo do Estado da Bahia, a restauração do Cemitério dos Ingleses de Salvador.

Julio Casoy
Médico, pesquisador. Realiza pesquisas sobre o médico escocês John Ligertwood Paterson, em particular sua experiência com a fitoterapia tradicional africana, utilizando fontes primárias – cartas redigidas pelo próprio Dr. Paterson.

Ricardo Chequer Chemas
Médico, neuropsiquiatra, pesquisador. Realiza pesquisas sobre a arte cemiterial em geral e especificamente sobre o Cemitério dos Ingleses da Bahia.

Sabrina Gledhill (Coordenadora e Palestrante)
Brasilianista. Realiza pesquisas sobre o Cemitério dos Ingleses e a presença britânica na Bahia e as contribuições de vários britânicos, do Almirante Cochrane a Edward Pellew Wilson. Projeto "A Presença Britânica na Bahia: uma Nova Ótica sobre a História do Brasil e a Grã-Bretanha" foi finalista do Prêmio Clarival do Prado Valladares em 2006. Mestre em Estudos Latino-Americanos pela UCLA (áreas de especialização: História, Antropologia e Ciência Política do Brasil).

Jaime Oliveira do Nascimento (Coordenador e Palestrante)
Historiador. Membro do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e o Instituto Genealógico da Bahia. Realiza pesquisas sobre o Conde dos Arcos e o Teatro São João. Organizador de simpósios sobre Manuel Querino, o Conde dos Arcos e a Presença Britânica na Bahia.

Sociedade da Igreja de São Jorge e Cemitério Britânico

CNPJ 03926.246/0001-87

W. Nigel Lee, MBE, Presidente da Sociedade de São Jorge e Ex-Cônsul Honorário da Grã Bretanha

Hoje em dia, a representante oficial da comunidade britânica na Bahia é a Sociedade da Igreja de São Jorge e Cemitério Britânico. O objetivo desta Sociedade é essencialmente a administração de seus bens na cidade do Salvador, que incluem a Igreja Anglicana na Pituba e o Cemitério dos Ingleses na Ladeira de Barra. A Sociedade também promove a realização de atos artísticos, recreativos, culturais e educacionais. Todos os cidadãos ingleses que aqui habitam são considerados associados desta Sociedade, mas apenas aqueles com mais 18 anos têm direito a voto. O estatuto da Sociedade foi revisado e atualizado em dezembro de 1998. O estabelecimento do Cemitério dos Ingleses na Barra foi aprovado pelo Conde dos Arcos, Governador da Capitania, em 1811, mas há indícios que já existia um Campo Santo britânico neste local anteriormente. Os

Membros do Conselho da Sociedade são:
Presidente ...............W. Nigel Lee
Vice Presidente........Lesley Hanson de Moura (Cônsul honorária da Grã-Bretanha)
Tesoureiro................Edward Skelton
Secretária.................Denise Sara Key
Diretora ...................Sheila Dias
Christopher Hannigan - Primeiro Suplente - Conselho
Sheridan Tandy - Suplente do Conselho
Tim Bradbury – Comitê Fiscal
Robert Salem – Comitê Fiscal
Roberto Woolf – Suplente Comitê Fiscal
William Wisden – Suplente Comitê Fiscal.

Evento Comemora a Presença Britânica na Bahia

SIMPÓSIO INTERNACIONAL DIPLOMACIA, ECONOMIA e CULTURA. A HISTÓRIA DA PRESENÇA BRITÂNICA NA BAHIA 3 a 8 de novembro de 2008

O Simpósio internacional "Diplomacia, Economia e Cultura. A história da presença britânica na Bahia." Promovido pela Sociedade da Igreja de São Jorge e o Cemitério Britânico, com a chancela de Embaixada Britânica no Brasil, este evento busca propiciar uma abordagem multifacetada da formação do complexo e às vezes conturbado relacionamento do Brasil com a Grã-Bretanha, focando especialmente a história da presença britânica na Bahia. Esta visão será traçada a partir da apresentação de pesquisas de estudiosos da temática e de descendentes da comunidade britânica da Bahia, inclusive de algumas das centenas de pessoas enterradas no Cemitério dos Ingleses na Bahia, entre as quais:

  • Edward Pellew Wilson, que estabeleceu a empresa Wilson, Sons na Cidade do Salvador em 1837;
  • John Ligertwood Paterson, pioneiro no combate à cólera e febre amarela na Bahia e um dos fundadores do Hospital de Isolamento (1853), agora o Hospital Couto Maia; e
  • Comandante Frederick William Fead, da Marinha Inglesa, cujo túmulo-monumento esculpido com "ornatos alusivos à dignidade do posto militar (capacete e óculo de comandante de esquadra)" foi descrito e fotografado por Clarival do Prado Valladares no livro Arte e sociedade nos cemitérios brasileiros.
O simpósio também tratará de uma maneira mais abrangente da história das relações entre o Brasil e a Grã-Bretanha que levaram ao estabelecimento da Comunidade Britânica na Bahia.

Através do Simpósio internacional “Diplomacia, Economia e Cultura. A história da Presença Britânica na Bahia”, espera-se que seja aberto um debate que permita a problematização em volta da presença britânica na Bahia, resgatando a história e o cotidiano social em que se deu essa presença.